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Educação e civismo para melhorar o futuro de alunos da Rede Estadual

Publicado em 02/03/2020 Editoria: Educação


A maior expectativa de Emilly Sandos, de 15 anos, e Mateus Dias, 16, é usar a farda do Corpo de Bombeiros. “Vai ser muito top”, diz Emilly. “Era meu sonho vestir uma farda”, confessa Mateus. Ambos são alunos da Escola Escola Estadual Alberto Elpídio Ferreira, professor Tito, primeira escola de período integral no modelo cívico-militar instalada no País, cujas aulas tiveram início nesta segunda-feira (02.03).
 
O garoto, atleta paraolímpico e apaixonado pela aeronáutica, afirma que quando estiver usando a farda as pessoas vão até olhar diferente para ele. “Vão me achar mais civilizado, diz. Para ela o novo uniforme dará ‘status social”. Os dois alunos são egressos de escolas diferentes e escolheram estudar na EE professor Tito, em Campo Grande, pelo mesmo motivo: acreditam que ela abrirá portas no futuro.
 
A disciplina será um fator de desafio para quem, como eles, costumavam conversar um bocado nas salas de aula. “Estamos um pouco nervosos”, concordam. Mateus, por exemplo, já foi avisado que o celular terá que ficar desligado em sala de aula.  “Só poderemos usar em emergência para falar com os pais”, explica.
 
As novas exigências, no entanto, não se comparam a alegria de estudar numa escola novinha em folha e sala com ar condicionado. “Fiquei besta quando vi o aparelho”, diz Emilly.  Para melhorar ainda mais, só mesmo a instalação da piscina e o início dos ensaios da Banda. Isto porque, ele não vê a hora de voltar aos treinos de natação e ela pretende tocar violino da Banda (já tem até o instrumento).
 
Professores poderão priorizar o trabalho pedagógico
 
“Sabemos que muitos dos nossos alunos são bem preparados, mas também teremos aqueles com mais dificuldade de aprendizagem”, explica o diretor Rudnei Siqueira Bernardes. Para ele o importante é mostrar que a educação pode ser feita em qualquer lugar, inclusive em áreas mais vulneráveis como no bairro Jardim Anache, Nova Lima e entorno, além da aldeia indígena Água Bonita.
 
Há oito anos trabalhando na região, Rudnei já está inclusive familiarizado com o programa cívico- militar que foi instalado (em duas turmas) como piloto na Escola Lino Vilachá, onde trabalhava anteriormente como diretor-adjunto. Segundo ele, uma das vantagens da integração cívico-militar é ajudar os professores que antes tinham que se ocupar também da disciplina. “Agora o foco será exclusivamente do trabalho pedagógico”, pontua.
 
Os pais dos alunos também terão papel significativo. Todos, inclusive, assinaram um termo de compromisso com a escola, visando a colaboração efetiva. Para Rudnei a questão familiar é fundamental para um bom resultado na escola, já que o comportamento do aluno está intrinsecamente ligado ao exemplo que ele tem em casa. “A falta de referência na própria família influencia muito na educação e na disciplina”, admite.
 
Programa tem semelhanças com “Bombeiros na escola – aluno cidadão”
 
E otimismo é o que não falta ao coronel Romero Souza, do Corpo de Bombeiros, responsável pelo Projeto Cívico-Militar nas escolas do programa. Além da escola professor Tito a outra unidade da Capital que faz parte do programa é EE Marçal de Souza Tupã-Y, no bairro Los Angeles. “Viemos para somar esforços e multiplicar conhecimento”, explica o oficial do Corpo de Bombeiros, cuja formação inclui graduação em Arquitetura, pós-graduação em engenharia do trabalho, além de instrutor na Escola de Bombeiros.
 
Depois de sete meses na reserva, o coronel disse que “tirou o pijama” para atender ao chamado do Comandante-Geral do Corpo de Bombeiros, coronel Joilson Alves do Amaral, e cumprir seu dever cívico. A missão, segundo ele, é resgatar o respeito ao cidadão e aos símbolos nacionais. “Vamos ensinar autoestima para os alunos”, diz.
 
A corporação inclusive tem experiência e histórias de sucesso no trabalho com escolas, graças ao programa “Bombeiros na Escola – aluno cidadão”, criado em 2018. A Escola Lino Vilachá foi o embrião do programa que, segundo o coronel Romero, tem muitas semelhanças com o programa das escolas cívico militar criado pelo Governo Federal. “O programa veio coroar nossa ideia”, afirma.
 
Os monitores das escolas (oficiais do corpo de bombeiro), ainda ganharam treinamento extra na sede do Ministério da Educação (MEC) no Rio Grande do Sul. Além de praticar o lema “Salvar vidas e riqueza” os bombeiros, de acordo com o coronel, terão uma nova missão pela frente: mostrar caminhos.


› FONTE: Subsecretaria de Comunicação (Subcom)