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“Lugar de mulher é na política”, defendem as palestrantes em evento na ALEMS

Publicado em 13/03/2020 Editoria: Política


“Não me exijam que diga o que não digo. Não queiram que escreva o meu avesso. Não ordenem que eu aceite o que recuso. Não esperem que me cale e obedeça”.
 
O poema de Maria Teresa Horta foi mencionado hoje (13) por uma das líderes que ocuparam o plenário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) pela manhã para falar sobre participação das mulheres na política. As palestrantes abordaram questões como igualdade, necessidade das mulheres serem combativas e, ainda, a deputada federal Rose Modesto (PSBD) além da senadora Simone Tebet (MDB) falaram sobre suas histórias e os desafios que enfrentaram até ocuparem cargos eletivos no Poder Legislativo do Brasil. Diversas mulheres que desejam se candidatar nas próximas eleições participaram do evento.
 
Quem citou o poema de Maria Teresa Horta foi a professora Maria Rosana, mestra em Letras e especialista em Política de Gêneros. Ela lembrou que por vezes o espaço é aberto às mulheres, mas que
 
elas são violentadas caso não sejam obedientes, mencionando o nome de Marielle Franco, vereadora assassinada em março de 2018. “Quem matou Marielle? Ela é prova de que as mulheres não podem ainda livremente falar, lutar pelo que acreditam”, disse Maria Rosana.
 
Para Maria Rosana, a presença da mulher na política traria benefícios de modo geral, não a assuntos específicos. “Ao dar aula, vejo uma sala de aula plural. De crenças ideológicas, religiões diferentes, raças. E tudo funciona. Porque na política temos apenas homens de negócios? Nós mulheres somos todas diferentes umas das outras. Não precisamos das mulheres para coisas específicas como assuntos das políticas sociais, ou para abrandar o caráter politico, como se nós todas fôssemos iguais e tivéssemos essas mesmas características e preferências”, destacou a professora ao mencionar estudo de Luana Pinheiro.
 
A professora disse, ainda: “Nós queremos uma política melhor, com mais representatividade, quem está no poder não nos representa. Queremos cotas de cadeiras, e não de candidatura. Como já acontece na Argentina”.
 
Acreditar em si mesmas, fazer diferente, abrir a porta
 
Ao relatar parte de sua trajetória, a deputada federal Rose Modesto afirmou a importância das mulheres acreditarem em si mesmas. “Para chegar até aqui tive que acreditar em mim. Tive que tampar os ouvidos muitas vezes. Um dia eu fiz uma brincadeira ao telefone, no outro fui julgada. Nós estamos mais vulneráveis ao julgamento, à reprovaçã", criticou.
 
Rose ainda afirmou as mudanças necessárias de paradigmas. "Não quero o mundo como é, quero o mundo como deve ser. Não podemos mais ficar discutindo a roupa e o cabelo da mulher. Ficamos muito tempo discutindo e reparando nisso, precisamos de um coração mais desprendido da vaidade. A nossa vida já é muito difícil, o mundo para a mulher é difícil”, destacou a deputada federal.
 
Adriane Lopes (Patri), vice-prefeita de Campo Grande, também participou do evento. Ela afirmou que faz questão de ocupar seu espaço e ser atuante enquanto política e vice-prefeita. “Desde o início da gestão, eu ocupo meu espaço como vice-prefeita. Não espero o prefeito se ausentar para fazer o meu trabalho. Vice-prefeita recebe salário, não é justo que eu fique em casa. Me posicionei desde o início, resolvi atuar. Honro as mulheres que nos antecederam para que fosse possível que eu hoje estivesse aqui, e acredito que onde estivermos, temos a chance de fazer diferente”, incentivou Adriane.
 
Simone Tebet também comentou sobre situações nas quais teve que elevar o tom de voz, ou ser mais combativa, para defender os seus ideais. “Mulher para fazer política não deve pedir licença. Ela tem que abrir a porta. E devemos defender o que nós acreditamos. Não entre na política para fazer o contrário", disse a senadora.
 
Ela deu exemplos da atuação no Senado. "Foi um desafio aprovar a lei que garante a presidiárias, que não cometeram crimes graves contra a vida e que tem filhos com menos de 12 anos, a prisão domiciliar. Fui questionada por colegas de partido, tive que levantar a minha voz, porque precisamos agir de acordo com a nossa consciência”, afirmou a senadora. Simone disse, ainda: “Lugar de mulher é onde ela quiser e, inclusive e principalmente, na política”.
 
Dever da Casa
 
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), Paulo Corrêa (PSDB), afirmou que realizar eventos como esse é dever da Casa. “Nossa casa está cumprindo seu dever, convidando as lideranças da política para falarem sobre estratégias para maior participação da mulher. Sou contra a cota de 30% das candidaturas, sou a favor da cota de 50%, para disputarmos em igualdade”. O evento foi promovido pela Escola do Legislativo Senador Ramez Tebet, coordenada por Ben-Hur Ferreira. Para ele, o problema da falta de representatividade da mulher na política atinge a todos. “Não há mulheres deputadas nesta Casa, e não há mulheres nem da direita, nem da esquerda e nem do centro. Então temos um problema estrutural que afeta todos os partidos” afirmou.
 
Conteúdo técnico
 
Além das palestras da professora Maria Rosane, da senadora Simone e deputada Rose, as participantes contaram com a fala da jornalista especialista em marketing digital, Fabiana Silvestre, que falou sobre marketing político, e da doutora em Direito, Lauane Braz Andrekowisk Volpe Camargo, que abordou os aspectos jurídicos das eleições municipais.
 
 
Também foram abordados temas práticos para a candidatura
 
Fabiana destacou diversos cuidados que as candidatas precisam ter com o formato e o conteúdo a ser apresentado nos meios de comunicação. “O marketing em si é um dos instrumentos para as pessoas se comunicarem. É uma forma de escolher o público-alvo e se destacar no mundo digital, que repercute no mundo real”, explicou.
 

Já Lauane, falou sobre as regras da legislação que estão em vigência no corrente ano e da importância de estar atento ao regramento. “Uma assessoria jurídica é muito importante porque vemos muitas candidaturas que seriam viáveis, mas que por inobservância das exigências da legislação eleitoral acabam sendo cassadas. As candidatas precisam procurar a advocacia especializada e podemos conhecer melhor essas regras nos manuais disponíveis no site do Tribunal Regional Eleitoral também”, alertou a advogada.


› FONTE: AL MS