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Após temporada de incêndios, Pantanal sul-mato-grossense começa a se regenerar

Publicado em 23/10/2020 Editoria: Brasil


Registro mostra vegetação voltando a brotar no Pantanal - Divulgação/Prevfogo

Registro mostra vegetação voltando a brotar no Pantanal - Divulgação/Prevfogo

Após uma temporada de queimadas no Pantanal sul-mato-grossense, que consumiu 27% do bioma, os focos de incêndio foram praticamente extintos na região com as chuvas do mês de outubro. O descanso, de acordo com especialistas, possibilita que a vegetação volte a crescer nas áreas queimadas.  
 
De acordo com o analista ambiental do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), Alexandre Pereira, o Pantanal tem uma grande força de regeneração, o que ajuda no retorno da fauna e flora do local em pouco tempo. “Em uma área que queimou no começo da temporada do fogo e recebeu chuvas agora já vai encontrar vegetação verde, consegue observar as árvores brotando, então no Pantanal logo logo vai estar tudo verde novamente”, afirma.  
 
O analista explica que não é possível prever quais espécies de vegetação irão ressurgir e quais estão mais adaptadas para retornar depois de incêndios tão intensos como os que atingiram o bioma desde o mês de junho.
 
Segundo Pereira, a fauna ainda vai demorar para retornar ao ambiente, pois a vegetação precisa ter forças para crescer e oferecer alimentos e abrigos para os animais. “A vegetação precisa investir essa energia em floração e frutificação para que os animais tenham alimento disponível e também uma cobertura vegetal suficiente para poder se abrigar, ter locais de reprodução, que possa oferecer alguma segurança de refúgio para essa fauna”.
 
Mesmo com a volta da vegetação ainda não é possível conhecer todos os impactos dos incêndios na recuperação total do Pantanal, como dos serviços ecossistêmicos e da estrutura ecológica. “Só vamos saber daqui um tempo, depois que esses estudos forem finalizados, análises forem feitas e trabalhos publicados. Então vamos ter uma noção real dos impactos dessa temporada de fogo”, explica Pereira.
 
Redução
De acordo com informações do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), a região de Corumbá registrou um acúmulo de 49,8 milímetros em outubro. O esperado para o município para todo o mês é 86,2 mm, ou seja, até ontem (22) já foi acumulado 57,7% do total.
 
Segundo a coordenadora do Cemtec, Franciane Rodrigues, até o final do ano é esperado apenas chuva na região, sem possibilidade de secas intensas. “Nossa umidade está relativamente mais alta, com indicação de maior número de nuvens no céu e as temperaturas dentro da média da primavera e é agora que começa a intensificação dos canais de umidade para favorecimento das chuvas em Mato Grosso do Sul”, explica.  
 
 
 
Brigadistas
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) mandou todos os agentes de combate aos incêndios retornarem para suas bases nesta quinta-feira (22), com justificativa de falta de verba. Segundo Pereira,  o pagamento das diárias que os brigadistas têm direito a receber quando estão fora da lotação original está atrasado, no entanto, a determinação não teve impacto na região do Pantanal.  
 
“A gente já estava em um processo de desmobilização e encerramento da operação. Então continuamos com o planejamento que tínhamos de desmobilizar as equipes que restavam de hoje até sábado” detalha Pereira.  
 
Segundo o analista, as operações no Pantanal encerram no sábado (24), pois em todas as áreas que estavam sendo monitoradas, o fogo foi extinto. O analista detalha que não há possibilidade de retorno de grandes incêndios no bioma, pelo fato de que as áreas queimadas limitam o avanço do fogo. “O que pode surgir de incêndios a partir dessa data, o contingente local que temos em Corumbá é suficiente para atender essas ocorrências a partir de agora”, acredita.  
 
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que nos últimos cinco dias foram registradas apenas 42 focos, de nível de risco mínimo à média. Ao todo, durante o ano foram identificados 20.946 mil focos de incêndio no bioma, com aumento de 217% em relação ao mesmo período de 2019.  
 
De acordo com Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa-UFRJ), 4,109 mil hectares do bioma foram consumidos pelo fogo.O Pantanal de Corumbá foi a região mais atingida pelo fogo, apenas no Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari 68,6% da área foi atingida, o que representa 21 mil hectares do bioma.


› FONTE: Correio do Estado - Ana Karla Flores