Na manhã desta quinta-feira (27), na Câmara Municipal de Aquidauana, ocorreu uma reunião com a pauta voltada para o Sistema Único de Saúde (SUS), mais especificamente sobre a crise enfrentada pelos hospitais públicos de Aquidauana.
A ampliação da microrregião de Aquidauana, que passou a ser atendida pelo Hospital Regional Dr. Estácio Muniz, resultou em um aumento significativo no número de municípios atendidos, passando de 5 para 12, o que gerou um aumento nas despesas financeiras, sem a devida ampliação dos repasses. Além disso, a alta demanda de pacientes não foi acompanhada pelo aumento do número de leitos e profissionais. Esses foram alguns dos pontos destacados durante a reunião.
O presidente da Câmara Municipal de Aquidauana, vereador Everton Romero (PSDB), foi enfático ao ressaltar a necessidade de uma ação imediata por parte do prefeito Mauro Batista. Segundo ele, o prefeito deve entrar em contato urgentemente com os prefeitos da microrregião para ajudar financeiramente o município de Aquidauana, a fim de cobrir as despesas do Hospital Regional. “Precisamos de atitude, não apenas de opiniões. É necessário estabelecer uma via rápida, com resultados imediatos. Precisamos de soluções de curto, médio e longo prazo. Reúna os 12 prefeitos e o Ministério Público para uma resposta rápida e eficaz, principalmente no aspecto financeiro. Depois, vamos discutir as outras necessidades”, afirmou Romero.
Antecipando essa reunião, o vereador Wezer Lucarelli (PSDB), durante Sessão Ordinária realizada na terça-feira (25), alertou sobre a situação crítica no SUS: “O caos no SUS já está instalado. Com uma canetada, aumentaram a demanda no Hospital de Aquidauana. Estamos atendendo pacientes de Bonito, totalmente de graça. Para que a população entenda: é como ir a uma pizzaria, comer 10 pizzas, mas pagar apenas por uma”, comparou Lucarelli.
Durante a reunião, o vereador reforçou sua mensagem ao prefeito Mauro: “Se eu fosse o senhor, prefeito, cancelaria os eventos que podem gerar traumas. Também alerto aqueles que bebem e andam de moto: o Hospital de Aquidauana não tem capacidade para atender traumas, e a Santa Casa não está recebendo pacientes. Portanto, tenham muito cuidado”, disse o parlamentar.
Em resposta, o prefeito Mauro Batista afirmou: “Vamos tomar as medidas necessárias, pois não queremos fechar as portas do hospital para pacientes de outras cidades, mas não temos condições de custear tudo sozinhos. O repasse do SUS é insuficiente”, destacou.
Sandra Calonga, secretária municipal de Saúde e Saneamento Básico (SESAU), acrescentou: “Até ontem, o hospital da CASSEMS de Aquidauana estava sem ambulância. Nós, enquanto SUS, estamos atendendo a essa demanda, o que tem sobrecarregado nosso sistema.”
Eulálio Abel Barbosa, presidente da Associação Beneficente Ruralista de Assistência Médica Hospitalar (Funrural), também fez um alerta: “Chegou a hora de nos unirmos. Estamos recebendo o mesmo valor da tabela SUS há mais de 7 anos, sem qualquer reajuste. Quando recebemos emendas parlamentares, elas são paliativas, pois não conseguimos comprar o que realmente precisamos.”
Estiveram presentes na reunião os vereadores Renato Bossay, Genivaldo Montana, Sargento Cruz, Nilson Pontim, Marquinhos Taxista, Reinaldo Kastanha, Juraci Jesus e Fred Frank, além de representantes da administração do Hospital Regional: o diretor administrativo Joacir Gomes, a diretora de enfermagem Juliana Miranda e o diretor clínico Fabio Colombo.
Após a reunião, o presidente da Câmara, Everton Romero, o vereador Wezer Lucarelli, o prefeito Mauro Batista e a secretária Sandra Calonga foram ao Ministério Público Estadual. Em uma conversa breve, explicaram a situação dos hospitais públicos de Aquidauana para a assessora do promotor de justiça, Rosana Antunes Blan. Ela se comprometeu a agendar uma reunião oficial para discutir a situação dos hospitais com mais detalhes.
› FONTE: Assessoria de Comunicação da CMA