Associação indígena pode ser reconhecida como de utilidade pública em Aquidauana
Publicado em 15/04/2026
Editoria: Cidade
A Câmara Municipal de Aquidauana analisa o reconhecimento da Associação dos Índios Residentes na Área Urbana de Aquidauana e Anastácio (Associação Txané) como entidade de utilidade pública municipal, por meio de proposta de autoria do vereador Fred Frank (PT). A medida destaca a relevância social, cultural e comunitária da organização, que há mais de três décadas atua na defesa dos direitos e no fortalecimento da identidade indígena no contexto urbano.
Criada na década de 1980 e formalizada em 1987, a associação surgiu a partir da mobilização de famílias indígenas — especialmente do povo Terena — que passaram a residir nas áreas urbanas de Aquidauana e Anastácio. A iniciativa teve como objetivo organizar e representar essa população diante dos desafios sociais, econômicos e culturais impostos pela vida fora das aldeias tradicionais.
Desde sua fundação, a entidade tem desempenhado papel estratégico na articulação política e institucional dos indígenas urbanos, promovendo o diálogo com órgãos públicos e buscando garantir direitos fundamentais. Atualmente, a associação reúne cerca de 250 membros e atua como espaço de apoio, integração e representação comunitária.
Mesmo inseridos no ambiente urbano, os integrantes mantêm vivas suas tradições culturais, promovendo ações de valorização da história, dos costumes e dos saberes ancestrais. A chamada “política da soma cultural” — que integra conhecimentos tradicionais aos mecanismos da sociedade não indígena — é uma das bases de atuação da entidade, evidenciando o compromisso com a preservação da identidade e a adaptação aos novos contextos sociais.
Ao longo de seus 36 anos de atuação, a Associação Txané desenvolveu iniciativas voltadas à sustentabilidade social, cultural e econômica da comunidade indígena urbana. Entre suas principais frentes estão a preservação da memória cultural, o uso de tecnologias para registro de tradições, a qualificação da juventude por meio da educação e a busca por melhores condições de vida para seus associados.
A proposta de reconhecimento como entidade de utilidade pública reforça a importância institucional da associação e pode ampliar seu acesso a parcerias, recursos e políticas públicas. Para o Legislativo municipal, a medida representa um passo significativo no fortalecimento da inclusão social, da cidadania e da valorização dos povos indígenas no município.
› FONTE: Assessoria de Comunicação da CMA