Durante o interrogatório, Ari Xavier disse que o peão "Santos" queria matar Antônio para ficar com o gado
Durante o interrogatório na DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa), Ari Xavier Silva Araújo, conhecido como "Veinho" e suspeito de auxiliar na ocultação do corpo do caseiro Antônio Ormondes Pereira, relatou que, cerca de duas semanas antes do crime, o peão José Viana da Silva, de 50 anos, teria pedido ajuda para "dar um fim" na vítima. O depoimento foi prestado ontem (25), após os investigadores descobrirem a participação de Ari na ocultação do cadáver.
Na quarta-feira (24), vizinhos faziam buscas pelo Assentamento Conquista, entre Campo Grande e Rochedo, quando encontraram o corpo do caseiro embalado em uma sacola plástica, em meio a um brejo. A Polícia Militar e a Polícia Civil foram acionadas e, enquanto realizavam a perícia e as primeiras diligências no local, Ari fazia "sala" para os policiais.
O homem chegou a ser questionado se tinha arma e se pretendia "dar tiro para o alto" durante o jogo do Brasil. A conversa ocorreu diante da equipe de reportagem do Campo Grande News, horas antes de ele admitir, em depoimento, que ajudou a ocultar o cadáver da vítima. Naquela manhã, Ari aparentava tranquilidade. Solícito, abria e fechava a porteira da chácara para a entrada e saída das equipes policiais e conversava normalmente com os investigadores.
Aos poucos, os vizinhos deixaram a chácara, lamentando a morte de "Seu Antônio". Todos os ouvidos pela reportagem o descreveram como uma pessoa tranquila e de boa convivência no assentamento. Ari Xavier, conhecido como "Veinho", permaneceu no local durante todo o trabalho da perícia e das equipes policiais.
Os investigadores saíram da chácara, por volta das 11h30, momento em que a equipe plantonista da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) chegava. O "Veinho" estava novamente por lá, solícito a todos. Enquanto conversava com os investigadores, um deles questionou como era a convivência entre Antônio e o peão, José Viana da Silva, e ele respondeu: "Os dois brigavam muito, bebiam cachaça".
Por volta das 11h30, quando os investigadores deixavam a propriedade e a equipe de plantão da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) chegava, Ari continuava circulando pela chácara e conversando com os policiais. Em uma das conversas, foi questionado sobre a convivência entre Antônio e o peão José Viana da Silva, conhecido como Santos. "Os dois brigavam muito, bebiam cachaça", respondeu.
Na sequência, um dos investigadores perguntou se Ari também costumava beber. Ele respondeu que sim. "E o senhor vai assistir ao jogo do Brasil hoje, tomando uma?", brincou o policial. Ari confirmou. Antes de encerrar a conversa, o investigador fez outra pergunta em tom descontraído: se Ari tinha arma e pretendia dar tiros para o alto durante a partida. O homem olhou para a equipe de reportagem e respondeu: "Melhor nem comentar".
Já nesta quinta-feira (25), após os policiais conseguirem localizar o peão "Santos", descobriram, em interrogatório que o "Veinho", estava envolvido no crime. José Viana confessou aos policiais que matou Antônio para se vingar de uma briga ocorrida na noite anterior. Segundo ele, o caseiro o teria embriagado e depois o agredido.
"Cheguei lá e peguei ele de frente. Dei uma cacetada nele com um cabo de ferramenta", afirmou durante o interrogatório.
Sobre a ocultação do cadáver, porém, José atribuiu a responsabilidade a Ari Xavier. Segundo ele, após contar que havia matado Antônio, ouviu do vizinho: "O resto deixa comigo". José disse ainda que saiu para beber em um bar enquanto Ari ficava encarregado de retirar o corpo da propriedade.
Em outro trecho do depoimento, José afirmou que Ari comentava que Antônio teria passado a mão nas nádegas da esposa dele. A versão, no entanto, foi negada por Ari durante seu interrogatório.
Com isso, policiais retornaram ao Assentamento Conquista atrás de Ari Xavier, e quando chegaram ao local, Ari logo se entregou, dando o celular do caseiro que estava enterrado na propriedade. No interrogatório prestado à DHPP, Ari apresentou uma versão diferente da postura tranquila demonstrada horas antes no local do crime. Ele afirmou que, cerca de duas semanas antes do homicídio, José Viana da Silva, conhecido como Santos, teria tentado convencê-lo a participar da morte do caseiro.
"Eu estava no meu barraco, lá onde eu trabalho. Ai o santos chegou e me chamou &39;O veinho chega ai, vamo lá em cima tomar uma&39;. Ai eu disse: ta bom, fica ai, porque estava chovendo. Ai não demorou, eu peguei uma capa de chuva e fui. Eu tomei uma mesmo. Ai ele disse "eu quero que você dê uma mão"; "de um fim naquele ze"; segundo ele, o motivo era para pegar o gado que o caseiro cuidava.
"Ele disse: &39;Quero que você dê uma mão para dar um fim naquele véio&39;. O motivo era ficar com o gado", declarou. Segundo Ari, ele recusou a proposta. "Comentei com a minha mulher que nós não precisa disso. Sou um cara trabalhador, não sou infeliz. Saí fora", afirmou ao delegado.
Mesmo dizendo que não participou do assassinato, Ari admitiu que ajudou a esconder o corpo. Disse que encontrou Antônio já morto, dentro de um saco plástico, ajudou José Viana a colocar o cadáver em um carrinho de mão e viu o peão seguir sozinho até o brejo onde o corpo foi enterrado.
Ari também contou que, na manhã seguinte ao crime, José Viana apareceu vendendo um celular por R$ 50. Segundo ele, o aparelho pertencia à vítima. "O celular era do véio, mas você não pode usar ele agora", teria dito o peão. Ari afirmou que comprou o aparelho e, com medo de ser descoberto, enterrou o telefone na propriedade, local que depois indicou aos investigadores.
Questionado sobre o desaparecimento de cerca de R$ 20 mil que Antônio guardava na chácara, Ari negou saber do paradeiro do dinheiro. Disse apenas que José Viana comentou que a vítima possuía a quantia, mas não revelou quem teria ficado com ela.
› FONTE: Campo Grande News