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Motorista envolvido em acidente com 7 mortes é ouvido e liberado

Publicado em 17/08/2026 Editoria: Polícia


Segundo a polícia, não havia flagrante nem ordem de prisão contra o condutor
 
O caminhoneiro envolvido no acidente que matou 7 indígenas da mesma família na última sexta-feira (14) se apresentou à Polícia Civil para prestar depoimento sobre a colisão na MS-180, entre Iguatemi e Japorã, a 412 quilômetros de Campo Grande. Conforme apurado pela reportagem, ele compareceu acompanhado do advogado e foi liberado depois de ser ouvido, pois não havia flagrante nem ordem de prisão contra ele.
 
Para a polícia, o rapaz relatou que passava pelo município e percebeu que o semirreboque carregado com milho havia se desprendido do veículo. Ele seguiu até Mundo Novo, estacionou o veículo em uma rua e foi a pé para um hotel, onde comunicou ao proprietário do caminhão sobre o ocorrido.
 
Ainda segundo o depoimento, o motorista chegou a ser abordado por testemunhas, mas deixou o local por medo e informou que só soube do acidente pelas redes sociais na manhã de sábado (15).
 
No entanto, ele relatou que viu o reboque tombado junto ao fogo, mas não o veículo em que Laudiceia Benites, de 30 anos; Tiago Honorio dos Santos, de 34; Cleonice Honorio dos Santos, de 42; Ileo Benites, de 30; Genilson Euzebio Karay Mirim, de 32; Tadeu Hiago Werá Mirim Benites dos Santos, de 14; e Luna Benites Santos, de 7 anos, estavam.
 
O grupo visitava aldeias de Mato Grosso do Sul para participar de atividades de intercâmbio cultural e religioso.
 
Após o acidente, os corpos foram levados ao Núcleo Regional de Medicina Legal de Naviraí, onde passarão por exames de DNA para identificação individual.
 
Procurada pelo Campo Grande News, a defesa do caminhoneiro informou que não vai comentar, neste momento, a dinâmica do acidente, as causas ou eventual responsabilidade pelo ocorrido. Segundo o advogado Higo dos Santos Ferré, as circunstâncias ainda são apuradas pelas autoridades.
 
 
“Em consideração às vítimas, aos seus familiares, ao acusado e ao próprio trabalho das autoridades responsáveis pela investigação, não emitirá, neste momento, qualquer manifestação acerca da dinâmica do acidente, de suas causas ou de eventuais atribuições de responsabilidades”, diz trecho da nota.
 
O defensor também confirmou que o motorista se apresentou espontaneamente à polícia no sábado e prestou os esclarecimentos solicitados. “A defesa acompanhará integralmente as investigações”, afirmou o advogado, que disse ainda que adotará as medidas necessárias durante a apuração.
 
Ao final, o advogado manifestou respeito às vítimas e aos familiares e afirmou confiar “que os fatos serão devidamente esclarecidos pelas instâncias competentes”.
 
Perda - O MPI (Ministério dos Povos Indígenas) lamentou a morte de Tiago Karai e dos familiares. Ele foi coordenador da CGY (Comissão Guarani Yvyrupa) e uma das principais lideranças da Aldeia Kalipety. Laudiceia, esposa dele, também exercia papel de liderança na comunidade. “O legado de luta em defesa dos direitos dos povos guarani permanecerá vivo e suas vozes seguirão ecoando entre nós”, diz trecho da nota.
 
O ministério também manifestou apoio às famílias e à comunidade indígena. “Neste momento de dor e sofrimento, prestamos a nossa solidariedade aos parentes, amigos e a toda comunidade mbya guarani”, afirmou a pasta.
 
Como mostrou o Campo Grande News, a família havia saído de São Paulo (SP) e passou pela Aldeia Porto Lindo, em Japorã, antes do acidente. O grupo visitou parentes na comunidade e permaneceu cerca de 40 minutos no local. Segundo o cacique Roberto Carlos, eles participaram de momentos de oração e canto.
 
 


› FONTE: Campo Grande News