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Curada do câncer, Ana transforma cicatriz em marca de sobrevivência

Publicado em 24/09/2026 Editoria: Saúde


Moradora de Campo Grande enfrentou dois anos de tratamento e agora encara as marcas da doença como símbolos de superação

O cabelo voltou a crescer, a rotina ganhou novas cores e uma cicatriz permaneceu. Aos 31 anos, a moradora de Campo Grande Ana Paula Calderoni retirou, nesta quarta-feira (23), o Port-a-Cath, dispositivo utilizado durante o tratamento contra o câncer de mama. Ana Paula residiu em Aquidauana.

Para quem olha de fora, a retirada pode parecer apenas mais um procedimento médico. Para Ana Paula, porém, o momento representa o encerramento de um capítulo marcado por medo, tratamentos e mudanças profundas e o início de uma nova fase de sua vida.

A história começou em 4 de julho de 2024, no aniversário do marido, Marcelo, com quem é casada há dez anos. Em meio a uma data que deveria ser de celebração, veio o diagnóstico de um câncer de mama agressivo.

“A partir dali, começou uma caminhada que eu jamais imaginei viver. Vieram os exames, consultas, preocupações, medo, decisões e uma realidade completamente diferente daquela que eu conhecia. Eu precisava ser forte, mesmo nos dias em que, por dentro, tudo parecia desabar. Enfrentei um câncer 95% agressivo”, relembra.

Durante o tratamento, Ana perdeu os cabelos e precisou enfrentar também o impacto emocional provocado pelas mudanças no próprio corpo. O momento mais difícil, segundo ela, foi a retirada da mama esquerda.

“Perdi meus cabelos. Aquela mulher que eu via no espelho já não era mais eu. Houve dias em que olhar para mim mesma era também olhar para tudo aquilo que eu estava enfrentando. Até chegar o dia mais difícil da minha história: perdi a mama esquerda.”

Cicatriz como símbolo de sobrevivência

Com o passar do tempo, Ana começou a enxergar a cicatriz de outra maneira. Mais do que representar uma perda, a marca passou a simbolizar cada etapa vencida durante o tratamento.

“Hoje eu entendo que aquela cicatriz não representa apenas o que eu perdi. Ela representa o que eu sobrevivi. Representa cada tratamento enfrentado, cada lágrima derramada, cada medo vencido, cada oração feita e cada manhã em que Deus me deu forças para continuar. O tempo passou. Os tratamentos passaram.”

Em 8 de abril de 2025, após 15 sessões de radioterapia, Ana Paula tocou o sino que marcou o fim daquela etapa do tratamento. O cabelo voltou a crescer e, aos poucos, ela começou a retomar a rotina e a se reconhecer novamente.

“Minha vida foi ganhando novas cores. E eu comecei a perceber que aquela mulher que saiu daquela batalha não era mais a mesma que entrou nela. Me tornei mais forte, grata, consciente do valor de um simples hoje.”

A retirada do Port-a-Cath representa agora mais um marco nessa trajetória.

Um novo capítulo

Mãe de dois meninos, de 6 e 10 anos, Ana Paula afirma que não pretende apagar as lembranças do período que enfrentou. O diagnóstico, a queda dos cabelos, a retirada da mama e os momentos de medo fazem parte de sua história, assim como o apoio recebido de familiares e amigos e a fé que, segundo ela, a sustentou durante o tratamento.

“Hoje eu olho para trás e consigo dizer, com o coração cheio de gratidão: eu venci essa batalha. Depois de tudo o que passei, hoje vivo um novo capítulo da minha história. Um capítulo de gratidão, recomeço e cura.”

Para Ana, contar sua história é também mostrar que o diagnóstico não representa o fim.

“O câncer fez parte da minha história, mas não é o fim dela. Eu sobrevivi. Recomecei. Estou vivendo a minha cura. E sou eternamente grata a Deus. Sou completamente curada!”, conclui.

 



› FONTE: Com informações do site do Midiamax