Policiais penais que participavam de um esquema criminoso para facilitar a entrada de ilícitos na PED (Penitenciária Estadual de Dourados), a 225 quilômetros de Campo Grande, são alvos da Operação Colete de Troia, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) nesta quarta-feira (21).
A operação cumpre dez mandados de busca e apreensão em Dourados, Ivinhema, Rio Brilhante e Paranavaí, no Paraná, além de diligências na casa de uma advogada. Policiais militares do Batalhão de Choque, juntamente com o Cope (Comando de Operações Penitenciárias), Gerência de Inteligência Penitenciária e Corregedoria da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) e Gaeco do Paraná dão apoio ao cumprimento dos mandados.
Um representante da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul) acompanhou as diligências na casa da advogada.
Esquema criminoso
As investigações revelaram a participação de policiais penais em um esquema voltado para a inserção de drogas, aparelhos celulares e outros materiais ilícitos nas dependências da PED.
Os policiais usariam de suas funções públicas para, em total subversão de seus deveres funcionais, atuar em conluio com presidiários e outros particulares. A intenção seria inserir ou facilitar a entrada de produtos ilícitos na penitenciária, inclusive com o uso de drones. Posteriormente, os produtos seriam distribuídos, vendidos ou consumidos nas dependências internas da Penitenciária Estadual de Dourados.
Diante da operação que investiga o envolvimento de policiais penais no esquema criminoso, o Jornal Midiamax acionou a Agepen e aguarda um posicionamento. O espaço segue aberto para manifestações futuras.
Colete de Troia
De acordo com o MPMS, o nome da operação foi escolhido em alusão à narrativa grega do Cavalo de Troia, consolidada na literatura clássica de Homero e de Virgílio.
“Assim como a estrutura de madeira serviu para ocultar os soldados gregos que abriram os portões da cidade inimiga por dentro, o “colete” e a confiança inerentes ao cargo de policial penal foram instrumentalizados como dissimulação. O que deveria ser o escudo de proteção da sociedade transformou-se na principal ferramenta de infiltração do crime organizado”.
Ex-diretor da PED acusado de ‘criar’ organização criminosa
Em setembro deste ano, o Jornal Midiamax noticiou que o MPMS denunciou 11 pessoas investigadas no âmbito da Operação Sátrapa, deflagrada pela Ficco-MS (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado), em 13 de fevereiro de 2025.
Parte dos denunciados, incluindo o ex-diretor da PED, Rangel Schveiger, é apontada por desenvolver uma organização criminosa dentro da penitenciária.
As investigações se iniciaram em 2024, após informações de que um policial penal estaria ingressando na PED com drogas e aparelhos celulares. Em julho daquele ano, ele chegou a ser preso em flagrante transportando cerca de 1,5 quilo de entorpecentes para dentro do presídio.
› FONTE: Midiamax