O policial penal denunciado por importunação sexual contra uma candidata a vaga de emprego no início deste mês é suspeito de ameaçar a ex-companheira em um shopping de Campo Grande. A vítima foi até a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) na última segunda-feira (16).
Segundo o boletim de ocorrência a que o Jornal Midiamax teve acesso, a vítima conviveu por quase dois anos com o policial e terminou o relacionamento há poucos dias. Na segunda-feira (16), ela combinou com o ex-companheiro um encontro em uma operadora no shopping para cancelar o plano do celular. Isso porque o policial era o titular e a mulher beneficiária do plano.
Na ocasião, a mulher chegou primeiro e, quando o policial apareceu, o mesmo teria acusado a vítima de estar em conversa com outra pessoa. Logo, o policial teria pedido para reatar o relacionamento e a vítima negou.
Diante da recusa, a mulher disse que foi ameaçada. “Você vai se arrepender, já que você não quer reatar comigo, você vai ver o que eu vou fazer, eu estou vendo que você está saindo”, teria dito o policial penal.
À polícia, a mulher contou que o policial penal é ciumento, possui alterações de humor e comportamento e teria a intenção de prejudicá-la financeiramente. Ela explicou que policial penal tinha acesso as câmeras e ao alarme de casa. No entanto, ela conseguiu alterar a senha das câmeras. Na Deam, a mulher pediu medidas protetivas de urgência em desfavor do policial.
Diante da denúncia registrada nesta semana, o Poder Judiciário decretou o recolhimento das armas do policial penal. A reportagem acionou a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), que irá verificar a situação do policial. O espaço segue aberto para manifestações futuras.
Importunação sexual
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima fez uma entrevista de emprego em um salão de beleza da esposa do policial. O servidor público — que recebe salário de R$ 5,8 mil conforme o Portal da Transparência — atuava como responsável financeiro do estabelecimento e fazia as entrevistas com as mulheres para trabalhar no salão.
Ao Jornal Midiamax, a jovem relatou como tudo começou: “Eu fui chamada no final de 2025 para uma entrevista, aí ele falou que ia me chamar, mas não me chamou. Em janeiro, ele me chamou, eu fui, e ele falou que ia me chamar para um teste. Mas não me chamou. Disse que ia conversar com a mulher dele para ter uma concordância para fazer o teste. Eu queria saber se essa concordância deu certo para eu começar a trabalhar”.
Como não obteve resposta, a jovem resolveu entrar em contato com o policial penal para saber o resultado da entrevista; então, ela foi informada de que não deu certo.
Contudo, o policial mudou o comportamento e o conteúdo da conversa via WhatsApp. Ele começou a enviar mensagens — algumas de cunho sexual — e apagá-las. Inclusive, um dos números utilizados por ele seria funcional, segundo o relato.
Em uma das ocasiões, o policial penal, fardado e em horário de serviço, fez uma chamada de vídeo se masturbando. Ele ofereceu R$ 30 para que a jovem tirasse parte da roupa.
“Ele falava: ‘Vai logo, vai logo, mostra o p para mim, se você mostrar, vou mandar R$ 30’. Ele falou assim: ‘Você está na sua casa? Quero ir à sua casa, quanto você cobra para fazer completo?’ Isso, ele acelerando, que era para ele voltar para o expediente dele”, lembrou a jovem.
› FONTE: Midiamax