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MS está entre os 7 estados onde número de feminicídios de mulheres aumentou

Publicado em 27/05/2026 Editoria: Cidade


Mato Grosso do Sul está entre os sete estados brasileiros que registraram aumento nos feminicídios de mulheres entre 2014 e 2024, segundo dados do Atlas da Violência. O Estado aparece ao lado de Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraná e Roraima na lista das unidades da federação que tiveram crescimento nos índices, enquanto a maioria do país apresentou redução.

O levantamento mostra que 19 dos 27 estados brasileiros tiveram queda nas taxas de feminicídios no período, indicando uma tendência nacional de diminuição da violência letal contra mulheres. Apesar disso, os casos ligados à violência doméstica continuam resistentes.

Feminicídios no país
De acordo com o estudo, os crimes ocorridos dentro de residências apresentam comportamento diferente dos assassinatos registrados fora do ambiente doméstico. A violência em locais públicos teve queda mais acentuada entre 2018 e 2019 e posterior estabilização.

Já os feminicídios ocorridos em residências apresentaram um comportamento mais estável ao longo do tempo, com variações menos intensas e uma trajetória relativamente linear no período analisado, ainda que com um leve aumento no pico de 2017.

O Atlas aponta que essa estabilidade pode indicar a permanência dos feminicídios, mesmo com a redução geral dos feminicídios. A Lei do Feminicídio, sancionada em 2015, também influenciou a melhora da identificação desses crimes.

Segundo o relatório, parte do aumento dos feminicídios registrados ao longo dos anos pode estar relacionada ao aprimoramento da classificação e do reconhecimento da violência de gênero. A pesquisa destaca ainda que muitos casos que antes não eram classificados como feminicídio passaram a receber essa tipificação, inclusive situações ocorridas fora das residências, desde que motivadas por menosprezo à condição da mulher.

Mulheres negras são as principais vítimas
Outro dado que chama a atenção é o impacto desigual da violência entre mulheres negras e não negras. Só no ano de 2024, o Brasil registrou 2.457 homicídios de mulheres negras, o equivalente a 67,5% de todos os assassinatos no país. A taxa foi de 4 homicídios a cada 100 mil mulheres negras, número 66,7% superior ao registrado entre mulheres não negras, cuja taxa ficou em 2,4 por 100 mil.

Apesar de apresentar queda de 28,6% nos últimos 11 anos, a violência contra mulheres negras segue maior e evidencia, segundo o estudo, a relação entre desigualdade racial, violência de gênero e vulnerabilidade social.

O Atlas ressalta que os dados mostram avanços na identificação dos feminicídios, mas reforçam também que a violência doméstica e a morte de mulheres continuam sendo desafios no país — especialmente em estados que tiveram aumento como Mato Grosso do Sul.

Violência contra as mulheres

Dados do SUS (Sistema Único de Saúde) apontam que 3.642 mulheres foram assassinadas no Brasil em 2024, o que corresponde a uma taxa de 3,4 mortes a cada 100 mil mulheres. Esse número representa uma queda de 6,7% das mortes em relação a 2023.

Os números mostram uma tendência de redução que vem sendo registrada ao longo da última década. Desde 2014, primeiro ano da série histórica analisada, houve diminuição de 27,7% na taxa de homicídios de mulheres notificados pelo sistema de saúde.

Apesar desse recuo, o volume absoluto de casos permanece alarmante e evidencia a persistência da violência letal de gênero no país: entre 2014 e 2024, 46.336 mulheres foram assassinadas no Brasil.