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Banda, organizadores e cacique podem ser responsabilizados por baile em aldeia

Publicado em 05/03/2021 Editoria: Regio


A decisão do dirigente da FUNAI é a de denunciar os fatos a Policia Federal para que um inquérito policial seja aberto e os organizadores sejam responsabilizados. “Trata-se de um evento incompatível com o momento que o País atravessa”.
 
O Ministério Público Federal em MS através do Procurador Dr. Luiz Eduardo Camargo Outeiro Hernandes realizou vídeo conferência com a participação do antropólogo Marcos Homero (MPF), lideranças indígenas e representantes do Polo Base de Aquidauana, além do prefeito de Aquidauana Odilon Ribeiro (PSDB) e Leopoldo José Costa, da Coordenação Regional da FUNAI em MS. 
 
Na pauta a realização de eventos em aldeia de Aquidauana, em especial um bailão anunciado em rede social para ocorrer nessa sexta-feira (05) a partir das 22h30 na Aldeia Ipegue localizada na região do Distrito de Taunay.
O entendimento do MPF é que a realização do evento é preocupante nesse momento em que a pandemia mostra números trágicos de contágio e mortes. 
 
Por conta dessa possível aglomeração desnecessária em um momento em que faltam leitos em hospitais de Mato Grosso do Sul e a aplicação do imunizante não avança pela falta do produto em quantidade suficiente para atender os grupos prioritários, causa preocupação a realização de um baile. 
 
O Ministério Público Federal em MS que tem atuado com eficiência para que as demandas da comunidade indígena sejam atendidas, questiona a necessidade de se realizar uma festa que representa grande periculosidade. “O momento não é pra festa e a intenção é ingressar com uma ação contra os organizadores e participantes, porque colocam em risco a saúde das pessoas”, ressaltou Luiz Eduardo Camargo Outeiro Hernandes - Procurador da República em MS.
 
O antropólogo Marcos Homero do MPF em MS alertou para o fato de que eventos desnecessários podem espalhar o coronavirus em todas as aldeias da região e provocar inclusive novas mortes. “É importante frisar que faltam leitos nos hospitais e a comunidade pode sofrer com a morte de um ente querido e carregar a culpa pela contaminação pelo resto da vida”, disse.
 
A informação é de que o organizador contratou uma banda e já efetuou parte do pagamento, mas isso não impede o adiamento. O MPF cobrou uma atitude do Cacique da Aldeia Ipegue, do prefeito de Aquidauana Odilon Ribeiro, da Saúde de Aquidauana, do dirigente da FUNAI e da equipe do Polo Base da SESAI.
 
Tanto o prefeito Odilon Ribeiro, quanto o dirigente da FUNAI Leopoldo José Costa reconheceram a gravidade do momento e a necessidade do convencimento para a não realização do baile na aldeia Ipegue. “Ainda hoje vou a aldeia conversar com as lideranças para que eles entendam que serão responsabilizados pelo descumprimento das regras sanitárias vigentes nesse período de pandemia”, enfatizou Leopoldo Costa (Funai).
 
A decisão do dirigente da FUNAI é a de denunciar os fatos a Policia Federal para que um inquérito policial seja aberto e os organizadores sejam responsabilizados. “Trata-se de um evento incompatível com o momento que o País atravessa”.
 
Também se tomou conhecimento através dessa reunião que muitas festas estão sendo realizadas nas aldeias, por causa de um aparente clima de tranquilidade, que engana todo mundo. 
 
É de responsabilidade dos caciques permitir ou não a realização desses eventos e para isso as lideranças cobraram o apoio da FUNAI – Fundação Nacional do Índio. 
 
Representantes da comunidade indígena alegam que os caciques precisam de orientação, pois eles têm o poder para barrar aglomerações. É evidente ainda que a equipe da SESAI está sobrecarregada com o excesso de serviço nas aldeias de Aquidauana e um dos médicos ainda está de férias. “Grande parte da população indígena tem medo do contágio, mas mantem silêncio, mesmo com o fato de que famílias já perderam até cinco vidas para a COVID-19 e uma nova onda pode provocar novas infecções e mortes”.